A humanidade terrestre passa por grave momento de sua jornada evolutiva. Somos confrontados nas bases de nossas escalas de crenças e valores à cerca do que é e o que não é essencial à vida.
Somos convocados a desenvolver novos parâmetros que nos ajudem a nortear nossos atos, pensamentos e sentimentos sob o risco de extinguirmos nossa própria espécie e talvez toda a vida conforme conceituada pela ciência em nosso planeta.
Sempre que nos sentimos ameaçados recorremos aos nossos instintos de forma premente e deixamo-nos direcionar única e exclusivamente por nossas raízes; abrimos mão da capacidade de racionalizar, sentir, refletir e buscar o sentimento de humanidade. É a natureza que nos oferece respostas automáticas para as ameaças à vida.
Muitas vezes buscamos na fuga ou na camuflagem meios de manutenção da integridade individual e coletiva, mas há um limite para estas respostas e, quando atingido, surge a derradeira e última opção de defesa, a agressão.
Agredimos para resguardarmos nossas vidas, nossa integridade física, para perpetuar nossos genes em resposta à necessidade premente de continuidade proposta pela natureza e presente em todos os seres.
A grande questão, entretanto, é que muitas das ameaças que nos cercam atualmente já não podem ser caracterizadas como ameaças à vida. O ser humano mapeia não apenas as ameaças naturais, mas também as ameaças a hábitos e comportamentos estabelecidos por ele mesmo, algumas vezes herdados dos antepassados através do legado chamado cultura, em atendimento a necessidades criadas pela razão, pela grande capacidade intelectual, pela falta de visão a cerca da humanidade e pela super-valorização de si mesmo.
Vivemos tempos difíceis. Precisamos compreender a necessidade de adotarmos a razão, a capacidade de refletir, os sentimentos e a idéia de humanidade como ferramentas de grande utilidade na identificação das reais ameaças à nossa integridade, na construção de respostas mais adequadas às ameaças identificadas e como meio para empreendermos o nosso papel na natureza.
Até quando agiremos como cães raivosos que respondem feroz e instintivamente a vozes de comando para a guerra?
Até quando enxergaremos nossos irmãos em humanidade como inimigos, indignos, bastardos e inferiores?
Até quando deixaremos que nossa própria cultura construa barreiras entre os povos e estabeleça regras belicosas de agir para com os que vivem além das nossas fronteiras?
Até quando?
Quando assumiremos as rédeas de nossas vidas e passaremos a lutar pela construção de uma sociedade mais equilibrada onde todos podem ver-se como companheiros na luta do dia-a-dia com vistas à construção de um bem comum?
Quando conseguiremos enxergar que a única forma de perpetuar a humanidade terrestre e de superar todas as dificuldades geradas por nós mesmos e às naturais em sua origem, é através da união e da construção da paz e do entendimento?