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Quantas reportagens e discursos exaltados já ouvimos sobre o absurdo que é o fato de detentos, criminosos condenados continuarem a comunicar-se de forma livre com o lado de fora e a comandar seus “negócios”?

Lembro certa vez do repórter sensacionalista gritando e gesticulando aos berros na televisão sobre o absurdo e sobre o grande nível de incompetência de nossas autoridades em evitar o fato. Lembro-me na época que achei um absurdo a abordagem do assunto e fiquei me perguntando: Será que nos outros países é diferente?

Ontem estava lendo algumas reportagens na Internet e achei esta pérola que demonstra que esta é uma dificuldade mesmo em países com maior capacidade financeira e tecnológica.
Acho que é um caso para pensarmos

A idéia de empresas agindo como predadoras em busca de presas, os consumidores, sempre me causou um certo desconforto e finalmente achei no artigo “Consumidor?” da Nádia Rebouças no Mercado Ético uma proposta de pensamento mais adequada com o meu entendimento. A final de contas, estabelecemos um diálogo entre os que vedem e os que compram. A idéia de ver os consumidores como interlocutores em um processo de comunicação é simplesmente brilhante e nos ajuda e repensar vários hábitos nocivos de consumo.

Cães da Guerra

A humanidade terrestre passa por grave momento de sua jornada evolutiva. Somos confrontados nas bases de nossas escalas de crenças e valores à cerca do que é e o que não é essencial à vida.

Somos convocados a desenvolver novos parâmetros que nos ajudem a nortear nossos atos, pensamentos e sentimentos sob o risco de extinguirmos nossa própria espécie e talvez toda a vida conforme conceituada pela ciência em nosso planeta.

Sempre que nos sentimos ameaçados recorremos aos nossos instintos de forma premente e deixamo-nos direcionar única e exclusivamente por nossas raízes; abrimos mão da capacidade de racionalizar, sentir, refletir e buscar o sentimento de humanidade. É a natureza que nos oferece respostas automáticas para as ameaças à vida.

Muitas vezes buscamos na fuga ou na camuflagem meios de manutenção da integridade individual e coletiva, mas há um limite para estas respostas e, quando atingido, surge a derradeira e última opção de defesa, a agressão.

Agredimos para resguardarmos nossas vidas, nossa integridade física, para perpetuar nossos genes em resposta à necessidade premente de continuidade proposta pela natureza e presente em todos os seres.

A grande questão, entretanto, é que muitas das ameaças que nos cercam atualmente já não podem ser caracterizadas como ameaças à vida. O ser humano mapeia não apenas as ameaças naturais, mas também as ameaças a hábitos e comportamentos estabelecidos por ele mesmo, algumas vezes herdados dos antepassados através do legado chamado cultura, em atendimento a necessidades criadas pela razão, pela grande capacidade intelectual, pela falta de visão a cerca da humanidade e pela super-valorização de si mesmo.

Vivemos tempos difíceis. Precisamos compreender a necessidade de adotarmos a razão, a capacidade de refletir, os sentimentos e a idéia de humanidade como ferramentas de grande utilidade na identificação das reais ameaças à nossa integridade, na construção de respostas mais adequadas às ameaças identificadas e como meio para empreendermos o nosso papel na natureza.

Até quando agiremos como cães raivosos que respondem feroz e instintivamente a vozes de comando para a guerra?

Até quando enxergaremos nossos irmãos em humanidade como inimigos, indignos,  bastardos e inferiores?

Até quando deixaremos que nossa própria cultura construa barreiras entre os povos e estabeleça regras belicosas de agir para com os que vivem além das nossas fronteiras?

Até quando?

Quando assumiremos as rédeas de nossas vidas e passaremos a lutar pela construção de uma sociedade mais equilibrada onde todos podem ver-se como companheiros na luta do dia-a-dia com vistas à construção de um bem comum?

Quando conseguiremos enxergar que a única forma de perpetuar a humanidade terrestre e de superar todas as dificuldades geradas por nós mesmos e às naturais em sua origem, é através da união e da construção da paz e do entendimento?

Outro dia me senti como um daqueles velhos rabugentos e resistentes às novidades da sociedade.

Decidi que trocaria de aparelho, uma vez que a validade do meu acabou e ele está apresentando vários defeitos (desliga sozinho, nem sempre toca, bateria dura pouco, sinal só melhora depois que desligo e ligo o aparelho novamente…), e quase levei um susto ao descobrir que existem aparelhos que custam mais de R$2.000,00 e promoções que fazem com que estes mesmos aparelhos saiam, praticamente, a custo zero.

A princípio pensei em concertar meu aparelho, uma ação ecologicamente coerente se considerar que será um aparelho a menos a poluir o ambiente ou a demandar recursos para que seja reciclado, mas logo desisti da idéia. Meu aparelho, apesar de ter 12 meses de uso, já está ultrapassado! O que significa dizer que não existem mais peças para ele nas assistências técnicas e o custo de manutenção é praticamente o preço de um modelo “basiquinho” novo. Digo modelo “basiquinho” porque mesmo estes modelos apresentam mais recursos do que o modelo que uso atualmente, e eu já achava que tinha tudo de que precisava…

É curioso observar que todo o argumento de venda das operadoras de telefonia está voltado para a venda de planos “ultra vantajosos” que podem ser consumidos através de aparelhos “ultra modernos” que estão cada vez maiores, mais caros, menos duráveis e cheios de funcionalidades. Mais curioso ainda é perceber que somos convencidos diariamente de que precisamos trocar de aparelhos todos os anos e contratar sempre os planos mais vantajosos das operadoras de telefonia para que possamos fazer parte da sociedade, para que não nos sintamos excluídos do grupamento em que vivemos. Por falar nisso, será que todos os meus amigos já estão usando o que há de mais moderno? Talvez até ganhe status por ser o primeiro em meu grupo direto de convívio social…

Hoje tenho condições de contratar uma operadora para acessar meus emails, navegar na internet, enviar dezenas de SMSs gratuitamente, tirar fotos que já saem com as coordenadas oferecidas pelo GPS e podem ser publicadas imediatamente na internet, guardar minha agenda de contatos, jogar, gerenciar comunicações,  trocar arquivos com outras pessoas, fazer tele-conferências, ouvir rádio ou músicas em formato mp3, assistir televisão digital, assistir arquivos de vídeo e até mesmo gravar e postar para a internet meus próprios vídeos. Tudo isto sem valar nas dezenas de serviços adicionais de mensagens multimídia, caixa postal, serviço por mensagens de texto, além da possibilidade de deixar meu aparelho com a minha cara, trocando o papel de parede, os esquemas de sons e cores, definindo perfis de funcionamento, configurando agenda de compromissos e alarmes, sendo lembrado de anotações importantes e sabe-se lá mais o que. E eu só queria ser capaz de fazer e receber ligações telefônicas a um custo justo…

No final das contas saio com um plano de serviços que me dá direito até mesmo a fazer ligações telefônicas, porto um trambolho enorme que não cabe na palma de minhas mãos e que vale uma fortuna, passo a figurar a lista de alvos da violência urbana e ainda estou “me achando”.

E o melhor de tudo, tudo isso: em milhares de suaves prestações com valores que correspondem a menos de uma passagem de ônibus por dia!!!

Será que realmente consumimos o que precisamos? Ou estamos sendo empurrados por uma massa de argumentos bem articulados que nos conduzem à busca de hábitos que tiram nossa tranqüilidade enquanto não os praticamos?

Quanto será que sofremos por não nos sentirmos incluídos entre os portadores do plano Mega-super-ultra-ômega da operadora ZZZ que só pode ser consumido através de aparelhos caríssimos e pouco práticos? Ou melhor, por que será que sofremos por isso?

Será que tudo isso realmente faz sentido? Começo a achar que os velhos rabugentos e resistentes às novidades da sociedade também têm um pouco de razão. Pela primeira vez na vida compreendo o ponto de vista deles e percebo que esta postura de resistência não se faz exclusivamente devido ao avanço da idade, quem sabe não é um sinal de maturidade?

Será que existe um ponto de equilíbrio em tudo isso?

Em uma audaciosa iniciativa nosso prefeito lança mais um canal com o objetivo de aproximar-se da população, leia a matéria “Prefeito do Rio gasta R$ 50 mil em site para se aproximar de população” na Folha Online.

No Twitter Eduardo Paes pode ser encontrado em http://twitter.com/eduardopaes_.

No Orkut você pode acompanhar através do perfil http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=17986929305046763670.

Mais Eduardo Paes, agora no Facebook, em http://pt-br.facebook.com/people/Eduardo-Paes/1826810933.

Nosso prefeito digital também está no MySpace, http://www.myspace.com/482544626.

É isso aí, resta-nos saber se a transparência e a comunicação é virtual ou funciona de fato. Será que conseguimos nos comunicar com o dirigente maior de nossa cidade? Diga como foi sua comunicação com o prefeito

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